Musicoterapia e seus benefícios


A musicoterapia surgiu após a Segunda Guerra Mundial. Músicos tocavam em hospitais com fins terapêuticos, para diminuir as dores dos feridos, e aliviar o sofrimento que a guerra deixou. As primeiras associações de musicoterapia surgiram em 1944 nos EUA e, em seguida em 1950 na Argentina. No Brasil este processo ocorreu em 1972, quando foi criado no Rio de Janeiro, o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música.

De acordo com a Federação Mundial de Musicoterapia (1996), este tipo de terapia tem por objetivo “desenvolver potenciais e/ou restabelecer funções do indivíduo para que ele/ela possa alcançar uma melhor integração intra e/ou interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida, pela prevenção, reabilitação ou tratamento”. A musicoterapeuta Nydia Monteiro faz parte do Centro de Reabilitação Física de Teresina, Piauí (CEIR) e vê a musicoterapia como “o poder imenso, fácil, barato de humanizar e também de prevenir e evitar o surgimento de doenças”, diz.

Nydia foi pioneira em musicoterapia na cidade de Teresina e conta que o tratamento pode ser feito em pacientes gestantes, em deficiências mentais, físicas, sensoriais, na área neurológica e psiquiátrica, em humanização hospitalar, câncer, AIDS, geriatria, entre outros. Explica também que existe somente uma contra indicação, “um tipo mais raro de Epilepsia- Musicogênica em que as crises podem ser desencadeadas por sons”, adverte Nydia.

A especialista considera que o grande desafio da musicoterapia é a sua falta de reconhecimento e acesso. “Sob o meu ponto de vista, poderia ser mais difundido, reconhecido, ter mais cursos de graduação. Inclusive no norte e nordeste e, estar disponibilizado a toda a população no Sistema Único de Saúde e Planos de Saúde”, ressalta a musicoterapeuta.

Entendendo a musicoterapia
Nydia Monteiro também falou ao Estado RJ sobre as mudanças no comportamento do paciente e os benefícios da musicoterapia.

 O Estado RJ: Quais as mudanças no comportamento dos pacientes?
Nydia Monteiro: Como qualquer terapia ocorre de dentro para fora, há uma transformação e percebe-se no processo musicoterapeutico com profundidade. Geralmente o processo é mais rápido. Por quê? Destacando que a musicoterapia utiliza a música e seus elementos como, sons, ruídos, vibrações que fazem parte da vida de cada ser humano, o que facilita a aceitação mais rápida e o estabelecimento mais rápido também de vínculo entre terapeuta e paciente submetido a esta terapia. Para cada paciente o objetivo estabelecido é individualizado e único, logo suas mudanças, individuais.

 O Estado RJ: Quais são as técnicas utilizadas para se realizar a musicoterapia?
Nydia Monteiro: Improvisação, recreação (experiências recreativas), composição, audição musical (experiências receptivas). São inúmeras as variações com objetivos terapêuticos infinitos. Um paciente geralmente é encaminhado por médico ou outros profissionais da área de saúde, com um diagnóstico e exames complementares, na maioria das vezes, quando não já está inserido na equipe multidisciplinar. A partir daí, é avaliado pelo musicoterapeuta e passa pela Anamenese (entrevista). A diferença é que nós vamos investigar também o mundo sonoro do paciente para preenchermos a “Ficha Musicoterapeutica” que se possível deve ter informações desde a gestação. Depois disso, fazemos uma observação prática com o paciente (testificação) com instrumentos musicais, objetos sonoros, trechos de músicas, etc. Somente depois destes procedimentos é que se define, se a musicoterapia é um tratamento adequado para cada pessoa e como serão as sessões.

O Estado RJ: A musicoterapia previne enfermidades. Ela as cura também?
Nydia Monteiro: Existem vários trabalhos de prevenção utilizando a musicoterapia por causa do efeito positivo de controle na pressão sanguínea, anti-estresse, regularização do sono, melhoria nas relações no trabalho, familiares, etc. Quanto à cura eu não poderia fazer esta afirmação genericamente. Muitas pesquisas e estudos científicos estão sendo realizados para responder a esta pergunta. Todos os dias, vejo sorrisos nos lábios de muitas pessoas que antes tinham muito mais motivos para ficar tristes, chorar ou desistir. E de manhã posso ajudá-los a enfrentar um tratamento antes mais doloroso, com uma terapia que traz mais prazer, alegria, motivação e mostra caminhos novos a eles, à família e a todos os outros profissionais que o acompanham.

Conversamos ainda com Lidiane Maria Alves Santiago, contadora, mãe de Polyana Santiago Teles que possui deficiência auditiva, e através da musicoterapia pode ter uma melhor qualidade de vida.

O Estado RJ: O que a levou a buscar o tratamento através da musicoterapia?
Lidiane Maria Alves Santiago: Com oito meses de gravidez eu tive paralisia facial. Quando minha filha Polyana nasceu fizemos o teste da orelhinha e descobriram que ela não estava ouvindo. Repeti o teste mais três vezes e ela continuava não ouvindo. Me aconselharam a procurar o otorrino e com seis meses foi detectado por um exame mais detalhado chamado BERA, que ela tinha deficiência auditiva. Ela colocou uma prótese pelo SUS, e nos cadastramos em todos os sites de hospitais que realizavam o implante coclear, no qual fica um aparelho dentro do ouvido e outro fora, que capta os sons os transmitindo ao cérebro em forma de frase. Em junho de 2011, o Hospital das Clínicas foi o primeiro a nos chamar, e em outubro ela recebeu o implante. Antes de fazer a operação, eu já estava frequentando o CEIR, depois que o implante foi realizado ela começou a terapia com a música. A musicoterapia tem ajudado muito e agora ela consegue diferenciar os sons. É como se ela tivesse nascido para o som, pois ainda não fala, mas balbucia muito.

O Estado RJ: Quem te incentivou a buscar a musicoterapia?
Lidiane Maria Alves Santiago: Onde minha filha fazia a fisioterapia, me informaram que a fonoaudiologia associada à musicoterapia faria com que ela reconhecesse o som mais rápido, por meio de instrumentos como maracá, tambor, flauta, piano. Fiquei apreensiva no começo, mas aprendi e aprendo a cada dia com minha filha, porque ela me ensina a não desistir e a musicoterapia tem ajudado isso acontecer.

 

Fonte: O Estado RJ

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