Basta falar a mesma língua?

Para diminuir o número de pessoas excluídas, é preciso que todos tenham acesso irrestrito à informação.

por Rodrigo Hübner Mendes

“Sorry Sir, I don´t speak English”. Foi o que ouvi de vários comerciantes ao visitar um bairro pouco frequentado por turistas em Tianjin, na China. Senti na pele o que é estar isolado diante da barreira que um idioma totalmente desconhecido representa. No entanto, foi uma experiência pontual, amenizada pelo prazer de conhecer uma nova cultura. Bem diferente do isolamento sentido por pessoas que convivem com este tipo de barreira em seu próprio país, em parte pela falta de domínio da língua, mas principalmente por limites de acesso à informação.

As evidências são inúmeras. Envolvem aspectos sociais econômicos e a nossa irrefutável pluralidade. Consideremos, por exemplo, pessoas com limitações visuais e auditivas. Como será sua interação com as mídias denominadas “abertas”? O sistema televisivo já dispõe de algumas ferramentas criadas com a finalidade de aprimorá-la. A audiodescrição é uma locução complementar que narra aquilo que se passa em determinada cena, permitindo que o espectador com deficiência visual acompanhe o enredo. Mesmo um filme da época do cinema mudo torna-se compreensível a esse público.

Para pessoas com deficiência auditiva, temos a tradução em linguagem de sinais, projetada no canto da tela, e o closed caption, legenda opcional no idioma do áudio. A internet também tem se preocupado com isso, pois existem protocolos internacionais como, como o Web Content Accessibility Guidelines, que estabelecem regras de acessibilidade a qualquer usuário. Ao contrário do que percebe nosso senso comum, tais tecnologias propiciam benefícios a todos quando pensadas e implementadas com bom senso e consciência.

Não basta falarmos a mesma língua. A redução de quadros de exclusão pressupõe que desfrutemos de igualdade no acesso à informação, seja ela qual for.

Fonte: Revista Tam - Abril

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