Por que seres humanos se divertem com música alta?

Enquanto a prevalência de perda auditiva entre a população jovem aumenta, os dados geralmente apontam para o culpado típico: música alta. Com a proliferação de iPods, baladas e shows com música alta, a atual geração entre 15 e 35 anos (incluindo a equipe da Audicus) está exposta a mais excesso de decibéis do que qualquer outra geração antes dela. De fato, um estudo realizado pelo England’s Royal National Institute for the Deaf (RNID) mostrou que os níveis sociais de ruído triplicaram desde os anos 1980.

Mas por que gostamos tanto de música alta? Sim, há a energia e excitação que acompanham a sobrecarga sensorial de um show incrível ou uma pista de dança. Quem nunca teve a experiência transcendental de estar em um show lotado com milhares de outros fãs? A linha de base que permeia nossos interiores? Música, especialmente música alta e indiscutível, parece fornecer a cola que nos une e nos coloca em sintonia com a experiência completa.

Mas há também uma explicação física. Nosso ouvido interno contém um minúsculo órgão chamado Sáculo, que contribui muito mais para nosso equilíbrio, do que para nossas funções auditivas. Vários estudos (ver o excelente trabalho do Dr. Barry Blesser sobre este assunto) mostraram que o Sáculo tem ligações nervosas com as partes do cérebro que respondem a todas as formas de prazer. Curiosamente, o Sáculo reage a sons de baixa frequência a níveis de volume superiores a 90dB – que são exatamente o terreno de uma linha de base elevada! Parece então que shows com música alta e pistas de dança são ideais para estimular este pequeno órgão.

 

O Sáculo no Labirinto do Ouvido Interno (Fonte: Wikipedia) Nervo / Sáculo / Utrículo / Canal anterior / Cóclea / canal horizontal / Canal posterior

 

Citando Dr. Blesser:

"Aumentar o volume da música, assim como uma dose dupla de uísque, intensifica a experiência. [...] Ao envolverem-se em uma atividade de grupo, seres humanos funcionam como se seus cérebros estivessem conectados. Mulheres jovens que moram juntas percebem que seus ciclos menstruais entram em sincronia. Da mesma forma, pessoas batendo palmas em um show mostram sincronia sensorial motora. Cérebros sincronizados produzem uma coesão grupal forte e perda de individualidade, motivo pelo qual os militares usam bandas em marcha e pelo qual comícios políticos usam música alta. Dançar ao som de música alta é a sincronização óbvia do corpo e da mente. Música alta sincroniza os cérebros dos ouvintes."

Entretanto, nossos ouvidos não são feitos para suportar exposição a sons acima de 85dB sem sofrer algum tipo de dano. A maioria das casas noturnas toca som muito acima dos 100dBs. Esta superexposição pode resultar em "zumbidos" nos ouvidos, o que indica que as células ciliares do seu ouvido interno foram danificadas. Embora possa levar alguns dias para o zumbido desaparecer e suas células ciliares se recuperarem, a exposição contínua pode levar a danos permanentes ou zumbido constante em seu ouvido (chamado Tinnitus). Lembre-se, audição danificada não pode ser curada, apenas assistida com auxilio de um aparelho auditivo – portanto, consuma música com moderação.

Dê a seus ouvidos um pouco de espaço e tempo para respirar; você ainda precisará deles por muitos anos.

Fonte: Audicus

Fale Conosco

Mande suas dúvidas e sugestões para nós!

Enviar